domingo, 16 de outubro de 2016

Curso Online de Medicina Baseada em Evidências



Colegas, cliquem no link para conhecer nosso Curso Online de MBE

Este curso tem o propósito de aproximar o pensamento clínico do paradigma científico. Seguindo o mesmo estilo de nosso Blog, utilizamos uma abordagem informal para democratizar conhecimentos básicos e avançados de metodologia científica, facilitando o entendimento de conceitos tradicionalmente percebidos como complexos.

Este curso se volta não apenas para professores ou pesquisadores, mas também para profissionais de saúde que desejam aprimorar sua prática clínica com (1) a análise crítica da validade de evidências científicas e (2) habilidade de aplicar o conhecimento científico na decisão clínica.

Ao abordar “aplicabilidade”, vamos além da metodologia científica. Apresentamos de forma original princípios de raciocínio clínico embasado em evidências, aspectos psicológicos da decisão, vieses cognitivos típicos do pensamento clínico, análise crítica das crenças internas, e como alinhar preferências e evidências.

Medicina baseada em evidências não se trata apenas de metodologia científica ou das burocráticas (e importantes) revisões sistemáticas. A sabedoria está em saber utilizar as evidências como norte da decisão individualizada, que leva em conta valores e preferências de nossos clientes.

Embora este curso tenha origem em nossa inserção acadêmica, sua forma foge ao academicismo tradicional. Falamos mais como clínicos que entendem de ciência, mantendo a proximidade do mundo real.

sábado, 15 de outubro de 2016

A Insegurança das Análises de Segurança



Normalmente se define como objetivos de ensaios clínicos de Fase III a avaliação da eficácia e da segurança. No entanto, o objetivo primordial deste tipo de estudo é usualmente testar eficácia, ficando a segurança em uma posição secundária. Isto faz com que a avaliação de eventos adversos seja mais vulnerável a erros aleatórios e sistemáticos. Demonstraremos nesta postagem onde reside a maior vulnerabilidade das análises de segurança.
Seja no desenho de superioridade ou de não inferioridade, de fato um ensaio clínico objetiva primariamente demonstrar eficácia de um tratamento. Colocado desta forma, isto pode parecer contrário a um princípio básico da medicina: primum non nocere ou primeiro não fazer mal.  De fato, do ponto de vista ético, devemos colocar o "não fazer mal" antes do "fazer bem". 

No entanto, quando falamos em raciocínio clínico, a decisão deve ir no sentido oposto. Ou seja, não há razão de se adotar uma terapia simplesmente porque esta é segura. A razão de uma terapia é primariamente trazer benefício. Caso traga benefício, medimos secundariamente o malefício, para decidir se vale a pena “pagar o preço”. 

Do ponto de vista clínico, o primeiro teste de hipótese deve ser mesmo a eficácia. Mesmo que esta seja a abordagem correta, é exatamente esta posição secundária da segurança no desenho de um estudo que faz dela mais sujeita a erros para os quais esta postagem se presta a alertar.

Erro tipo II de Segurança

Sendo o benefício a verdadeira justificativa do uso de uma terapia, o cálculo amostral é normalmente voltado para o desfecho primário de eficácia, nos deixando cegos se o estudo está adequadamente dimensionado para demonstrar segurança. Assim, desfechos de segurança são mais vulneráveis a sofrer do erro tipo II, principalmente quando estes desfechos não são muito frequentes.  

Por este motivo, alguns efeitos adversos só vêem a tona depois das drogas serem disponibilizadas no mercado. Não é incomum que drogas liberadas para comercialização, acabem sendo suspensas, devido ao relatos a posteriori de efeitos adversos (Vioxx, Rimonaband). 

E para complicar mais ainda, muitas vezes drogas são liberadas pelas agências reguladoras com base em estudos de desfechos substitutos (hipoglicemiantes, anti-hipertensivos, redutores de apetite), que são subdimensionados para desfechos clínicos, sejam de eficácia, sejam de segurança.

É por este motivo que terapias novas muitas vezes são randomizadas da forma 2:1 ou 3:1. Ou seja,  mais pacientes para o grupo tratamento do que para o grupo controle. Isso às vezes gera estranheza e desconfiança dos leitores. Mas é uma técnica adequada para aumentar a experiência com o uso do novo tratamento, dando oportunidade à observação de efeitos inesperados. Por exemplo, no estudo Symplicity HTN-3 (denervação renal na HAS resistente) a randomização gerou 2 pacientes de denervação para cada paciente controle. 

O Caráter Supresa dos Eventos Adversos

O segundo motivo da dificuldade de adequar um estudo para identificar efeitos adversos é que estes são amplos e muitas vezes inesperados. Em algumas situações, sabemos qual o evento adverso mais provável (por exemplo, sangramento com anticoagulantes), mas outras vezes não sabemos o que está por vir (infarto com Vioxx). 

Quando avaliamos eficácia, estamos focados em um tipo de desfecho para o qual o tratamento foi inventado, mas no caso da segurança, são infinitas as possibilidades. Isto faz com que nem sempre estejamos preparados para reconhecer o desfecho, que só fica aparente depois de se tornar mais frequente. Isto caracterizaria um viés de informação, pois “só reconhece o que acha quem sabe o que procura.” Não é erro tipo II, pois não é aleatório. É um problema de sensibilidade em reconhecer o desfecho devido a um erro sistemático de capacidade de detecção. 

Menor Confiabilidade de Eventos Adversos (quando aparecem)

Até aqui nos referimos à dificuldade de reconhecer um desfecho adverso. Mas há outro problema gerado pelo fato destes serem imprevisíveis: quando os encontramos, a veracidade deles é menor. Isto por três grandes razões: (1) quando não são pré-especificados (análise post-hoc), sofrem de viés de aferição; (2) se o estudo for subdimensionado para este desfecho de segurança, há maior risco do erro tipo I (afirmar  algo falso); (3) e por fim, o problema das múltiplas comparações. 

O Problema das Múltiplas Comparações

Este é um fenômeno estatístico comum, embora pouco reconhecido: quando comparamos múltiplos desfechos ao mesmo tempo, há maior possibilidade de algum deles apresentar diferença estatística por obra do acaso. É por isso que existe o desfecho primário de eficácia, para evitar esse problema. Mas com desfechos adversos, usualmente não há um primário. Desta forma, pode existir um grande número de desfechos que estão concorrendo simultaneamente a alguma significância estatística. Considerando um alfa de 0.05 (definição de significância estatística), o risco de um desfecho isolado aparecer estatisticamente significante por acaso não passará de 5%. No entanto, o risco de um dos múltiplos desfechos aparecer estatisticamente significante de forma falsa é muito maior que 5%. Se cada um tem isoladamente 5% de probabilidade de erro tipo I, o conjunto deles terá uma maior probabilidade de apresentar pelo menos um deles significante.

Imaginem que uma farsante quer provar ser vidente, capaz  de adivinhar alguma coisa. Um cético faz um experimento que define apenas 5% de probabilidade da vidente acertar por acaso (sorte). Mas isso só vai funcionar se a suposta vidente tiver apenas uma tentativa de acertar. Mas se ela tentar 30 vezes e cada uma das vezes a probabilidade for 5%, ela terá 80% de probabilidade de acertar alguma das vezes. Calculei 80% pela fórmula P = 1 - (1 - P)N, sendo N o número de tentativas ou comparações. Ou seja, 1 - (1 - 0.05)30 = 0.80

Já pensou se acreditássemos no acerto dela depois de tentar 30 vezes?

Parece absurdo, mas foi isso que fizemos (acreditamos) quando o estudo Jupiter demonstrou o inusitado achado de que rosuvastatina aumentava a incidência de diabetes. Eram inúmeros desfechos adversos testados simultaneamente e quando a rosuvastatina apresentou mais diabetes (P = 0.01) a comunidade médica adotou a falácia narrativa de contar a história de frente pra trás, buscando justificativas mecanicistas a posteriori. Assim ficamos anos e anos discutindo o impacto da estatina em diabetes quando na verdade a primeira hipótese deveria ser acaso. 

Um leitor mais entendido de acaso teria feito a correção de Bonferroni, multiplicando o valor de P pelo número de comparações. Se isso fosse feito (0.01 x 20), o verdadeiro valor de P corrigido seria 0.20, ou seja, esse negócio de diabetes no Jupiter nem foi estatisticamente significante.

Interessante notar que a mesma tabela de eventos adversos no Jupiter "demonstra" menor incidência de morte por câncer em pacientes randomizados para estatina (P = 0.02). Isso ninguém comentou ... Também era acaso.

Mas a fantasia do diabetes continuou e publicaram no Lancet uma meta-análise que “confirmou” o aumento com significância estatística bem limítrofe (limite inferior do 95% intervalo de confiança do OR = 1.02 - quase na trave). Mas essa revisão sistemática incluiu o estudo Jupiter, gerando a meta-ilusão já comentada por nós em postagem prévia. Nunca devemos fazer uma meta-análise para confirmar um achado inusitado incluindo o próprio estudo que gerou o achado inusitado, principalmente este estudo sendo o maior deles. Fica redundante. 

Mas agora já sabemos. O estudo HOPE-3, randomizou 12.700 pacientes para rosuvastatina ou placebo e a incidência de diabetes foi idêntica nos dois grupos. As coisas verdadeiras são reprodutíveis em estudos futuros, as coisas que aparecem por acaso, não ocorrerão duas vezes. Rosuvastatina não causa diabetes, era tudo acaso gerado pela vulnerabilidade de um desfecho de segurança ao erro tipo I.

(há os que tacreditam que o HOPE-3 mostrou incidência idêntica de diabetes nos dois grupos pois a dose de rosuvastatina foi 10 mg e não 80 mg como no Jupiter. No entanto, a prova do conceito reside no contraste entre grupos, sendo que dose tende apenas magnificar algo que estaria presente em qualquer contraste). 

Conto toda essa história apenas como exemplo de que a falta de percepção do problemas das múltiplas comparações pode levar a equivocadas conclusões a respeito da natureza das coisas.


A Efetividade da Segurança

Sabemos que algo que funciona positivamente no teste de hipótese científico (eficácia), pode funcionar de forma diferente no mundo real (efetividade). A notícia aqui é que a distância que separa o teste de hipótese do mundo real tende a ser maior quando falamos de segurança. 

Como já mencionei, o intuito primário de um ensaio clínico é comprovar eficácia. Desta forma, seleciona-se quem mais precisa da terapia (usualmente pacientes de maior risco do desfecho a ser prevenido pela terapia), pois estes são os mais vulneráveis a se beneficiar, dando maior poder estatístico ao estudo. Isso aproxima a eficácia da efetividade na medida em que o teste está sendo realizado em quem mais precisa no mundo real. 

No entanto, isso é diferente quanto a segurança. Como o intuito primário do estudo é o teste de eficácia, precisamos selecionar uma amostra que tolere bem o tratamento, para não atrapalhar o teste primário. Isto faz com que a seleção da amostra seja de pacientes de menor risco para complicações do tratamento, distanciando o ensaio clínico da população-alvo real do tratamento. 

O NNT do tratamento testado em um ensaio clínico, tende a ser a média do NNT do paciente que representa a média da população, salvo exceções. Porém o NNH (dano) de um tratamento tende a ser maior (mais segurança) em um ensaio clínico do que na população do mundo real. 

Desta forma, uma vez demonstrado segurança de um tratamento em um ensaio clínico, devemos ficar bastante atentos com o que ocorrerá quando o tratamento for instituído na prática.

Conclusão

Sem perder a oportunidade do trocadilho, análises de segurança nos deixam mais inseguros quanto à veracidade. Devemos observar cuidadosamente todos os pontos aqui abordados na prova do conceito de segurança. 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Ilusão de Interação: Estudo DANISH




Em termos epidemiológicos, interação significa modificação de efeito. Este conceito é muito usado para avaliar se o efeito de um tratamento muda quando mudamos o tipo de paciente. Por exemplo, um tratamento reduz mortalidade em homens, porém não funciona em mulheres. Seria a interação entre gênero e tratamento. O gênero modifica o efeito do tratamento na mortalidade.

Interação é um fenômeno estatístico que permeia nossa vida cotidiana. Messi joga bem no Barcelona, mas não tão bem na seleção argentina. Isso é interação entre time e Messi. O time em que ele está jogando modifica o efeito de Messi no desfecho do jogo.

Embora interação na vida comportamental seja bastante comum, aí vai uma novidade usualmente incompreendida: interação quanto ao efeito de condutas médicas é um fenômeno raro. Essa raridade está demonstrada por revisões sistemáticas e análises de subgrupo feitas em diversos tratamentos. Por exemplo, a interação entre gênero e tratamento que citei acima “nunca” acontece em análises de subgrupo de ensaios clínicos.

A percepção da raridade deste fenômeno não está suficientemente presente na mente médica, promovendo interpretações erradas de evidências científicas ou raciocínios incorretos quanto à sua aplicabilidade. É o que chamei no título desta postagem de “ilusão de interação”.

Este foi o caso da interpretação do recém publicado estudo DANISH (Congresso Europeu de Cardiologia e New England Journal of Medicine), que frustou expectativas quando não demonstrou menor mortalidade em pacientes submetidos ao desfibrilador implantável (CDI), achado considerado por muitos diferente de estudos mostraram eficácia em amostras que tinham pacientes com miocardiopatia isquêmica. Seria interação entre tipo de miocardiopatia e CDI. O tipo de miocardiopatia modificaria o efeito do CDI na mortalidade. 

Manchete no site do Medscape afirmou The DANISH Trial Delivers a Shock of Humility, conotando que fomos presunçosos ao pensar que poderíamos atribuir o benefício do CDI a pacientes com miocardiopatia não isquêmica. Já o site do TCC afirma categoricamente "CDI não reduz mortalidade em pacientes com miocardiopatia não isquêmica". Tudo equivocado.

O DANISH não passa de uma “ilusão de interação”. Explicarei em seguida e no final discutirei como essas ilusões prejudicam o raciocínio baseado em evidências. 



O Estudo Danish e a Ilusão de Interação 

O DANISH trial randomizou 1.116 pacientes para CDI ou controle, tendo como desfecho primário mortalidade total. A mortalidade no grupo CDI foi 21.6%, comparado a 23.4% no controle, sem diferença estatística (P = 0.28; HR = 0.87, 95% IC = 0.68 - 1.12). Desta forma, foi um estudo negativo. 

Estudos prévios que, diferente do DANISH, incluíram pacientes com miocardiopatia isquêmica mostraram benefício do CDI profilático, como o MADIT II (apenas miocardiopatia isquêmica), COMPANION e SDC-HeFT (misturam miocardiopatia isquêmica e não isquêmica). À primeira vista, se compararmos o resultado negativo do DANISH (só miocardiopatia não isquêmica) com estes outros estudos, poderíamos pensar que CDI tem benefício na miocardiopatia isquêmica e não na miocardiopatia não isquêmica (interação). Foi o que os diversos comentários a respeito do estudo sugerem que a maioria pensou.

Mas se temos em mente que o fenômeno de interação é raro, nos tornamos mais céticos em relação a esta interpretação e devemos avaliar se outros fenômenos (que não interação) seriam responsáveis por essa aparente heterogeneidade entre os estudos.

Que outros fenômenos? O que o desfibrilador faz é salvar pacientes de morte por arritmia, portanto a detecção de seu efeito depende do número das mortes por arritmia que ocorrem dentro do desfecho primário de morte geral. 

Vamos comparar o número de mortes por arritmia do DANISH com o número do SCD-HeFT, por exemplo. Enquanto no SCD-Heft 57% das mortes do grupo controle decorreram de arritmia (95 mortes), no DANISH apenas 35% das mortes do grupo controle foi decorrente de arritmia (46 mortes). Além disso, o desfecho primário de morte geral foi muito mais numeroso no SCD-Heft (no grupo controle, 244 mortes no SCD-HeFT x 131 mortes no DANISH), devido ao maior tamanho amostral, que deu um poder estatístico maior. 

Portanto, a diferença do DANISH para os demais estudos positivos pode estar no poder estatístico. Na verdade, o estudo não comprova que o CDI não funciona para pacientes sem miocardiopatia isquêmica. O CDI pode funcionar igual, porém esses pacientes precisam menos de CDI, o que implicaria em um estudo maior para demonstrar benefício.

Tenho dito que desfechos secundários não servem para comprovar eficácia, nem para contrariar um desfecho primário negativo, mas servem para explicar o resultado no desfecho primário. Observem que o desfecho secundário de morte por arritmia foi significativamente menor do grupo CDI, comparado ao controle (4.3% vs. 8.2%; P = 0.005), sugerindo que o CDI funciona para prevenir morte súbita. O problema é que esse tipo de morte é menos frequente em quem não tem tanta fibrose pós-infarto, portanto precisaríamos de um estudo maior para detectar diferenças com menor grau de incerteza.



Como Testamos Interação?

Interação é testada de duas formas: nas análises de subgrupos de ensaios clínicos ou nas análises de heterogeneidade e sensibilidade de meta-análises. 

Um importante dado que corrobora com meu raciocínio é a análise de subgrupo do SCD-HeFT, que mostrou “idêntica” redução de mortalidade total pelo CDI nos grupos de miocardiopatia isquêmica e não isquêmica. Não houve interação (P = 0.68) e o hazard ratio do tratamento foi bem parecido nos dois grupos. 

OBS: P < 0.05 significaria interação presente, portanto P = 0.68 indica ausência de interação.



O mesmo ocorreu no estudo COMPANION, cuja análise de subgrupo mostrou o mesmo efeito do CDI nos diferentes tipos de miocardiopatia. 

Considerando que os efeitos intrínsecos dos tratamentos tendem a ser reprodutíveis em diferentes populações e observando as análises de subgrupo do SCD-HeFT e COMPANION, podemos dizer que já sabíamos que o CDI funcionava em pacientes com miocardiopatia não isquêmica. O que o DANISH nos traz de novo é a informação de que estes pacientes morrem menos de arritmia, portanto precisam menos desse eficaz device contra morte arrítmica. O DANISH não nega o efeito do CDI neste tipo de paciente. 

Precisamos assim diferenciar entre o efeito do tratamento e o quanto uma população precisa do tratamento.

Na verdade, o DANISH é um estudo desnecessário para demonstrar o que ele não conseguiu demostrar. Mas porque fazer um estudo desnecessário? Em minha mente conspiradora, estudos desnecessários servem para que seu resultado previsivelmente positivo induza médicos a  prescrever o tratamento. Mesmo previsível, o DANISH falhou.

((Prometi em postagem prévia falar porque o HOPE-3 braço estatina foi um estudo desnecessário (muitos já haviam me cobrado por esta promessa não cumprida, agora vai). Este estudo mostrou que estatina em pacientes de risco intermediário e colesterol baixo tinham benefício. Mas isso já estava demonstrado em pacientes de risco alto com mesmo valor de colesterol. Pela regra de ausência de interação, já sabíamos que haveria efeito em pacientes de médio risco, só precisamos de um estudo gigante para demonstrar isso, como o HOPE-3. Mas se já sabemos, porque fazer um estudo gigante? Porque o efeito de marketing de um estudo positivo é grande, de acordo com minha mente conspiradora. Os médico ficam induzidos pela positividade do estudo a adotar a terapia, sem reconhecer que para um mesmo efeito intrínseco, o efeito concreto do tratamento é menor em pessoas de risco mais baixo. Explicarei melhor abaixo)).

Agora vamos explicar a outra forma de se testar interação: meta-análises. Estas avaliam heterogeneidade entre estudos, que representa o quanto os resultados de diferentes estudos se diferenciam além do acaso. Provavelmente uma meta-análise (acho que vou fazer isso, quem quiser pode se voluntariar como co-autor) não mostraria heterogeneidade entre estudos que incluíram miocardiopatia isquêmica e o DANISH. Como provavelmente o DANISH foi negativo por falta de poder estatístico (erro aleatório tipo II), a diferença entre este e os outros estudos não superariam o acaso. Outra coisa que meta-análises podem fazer é análise de sensibilidade, onde se usa o teste de interação. Seria a avaliação da interação entre o tipo de população do estudo e o efeito do tratamento. Esta seria negativa, tal como as análises de subgrupo dos estudos individuais mostraram neste caso (SCD-HeFT e COMPANION).



Interação de Risco Relativo versus Risco Absoluto

Importante notar que o teste de interação deve utilizar as medidas relativas de risco (risco relativo ou hazard ratio ou odds ratio) e não redução absoluta de risco. Isto porque a propriedade intrínseca do tratamento é representada pelas medidas relativas, que tendem a ser constantes nos diferentes estratos de risco absoluto. 

Quando falamos que interação um fenômeno raro, estamos nos referindo à propriedade intrínseca do tratamento (risco relativo), que graças a Deus tem sua estabilidade (constante em diferentes estratos de risco), pois nunca teremos um estudo para cada tipo de paciente.

Claro que se analisássemos interação utilizando redução absoluta de risco ou NNT, esta daria significativa quase sempre, pois estas medidas sempre variam com o risco basal do paciente. Ou seja, para uma mesma redução relativa (efeito intrínseco do tratamento), pacientes de alto risco terão um melhor NNT do que pacientes de baixo risco (efeito concreto do tratamento). 

Esse é o grande valor das medidas relativas. Embora as medidas absolutas (RAR e NNT) representem de forma mais concreta o benefício que um paciente recebe, estas são particulares do tipo de paciente. Por outro lado, as medidas relativas raramente têm interação, sendo constantes nos diferentes tipos de paciente. 

Portanto, enquanto o risco absoluto representa efeito concreto do tratamento em cada tipo de indivíduo (estrato de risco), o risco relativo representa a propriedade intrínseca do tratamento, que tende a se reproduzir em qualquer tipo de indivíduo.

Resumindo, as medidas relativas (RR, HR) descrevem o efeito tratamento, enquanto as medidas absolutas (RAR e NNT) descrevem o paciente que recebe o tratamento. 

(Isso se parece com o conceito de acurácia diagnóstica, em que sensibilidade e especificidade não variam com prevalência de doença, enquanto valores preditivos variam com prevalência de doença. Sensibilidade e especificidade estão para risco relativo, assim como valor preditivo está para risco absoluto).


Os Princípios da Medicina Baseada em Evidências

Este raciocínio de estabilidade do risco relativo dá suporte a dois de nossos “princípios da medicina baseada em evidências”. O Princípio da Prova do Conceito diz que MBE não é copiar artigo científico. É utilizar uma prova de conceito como norte para uma decisão individualizada. O norte é a redução relativa do risco. Utilizando deste norte, aplicamos esta redução no risco basal de nosso paciente, identificando qual a redução absoluta de risco proporcionaremos  a este paciente em particular (impacto concreto). Por exemplo, sei que anticoagulação oferece 60% de redução relativa do risco. Utilizo um escore CHADS, identifico que o risco de AVC de meu paciente é 3%. Reduzir 60% de 3% = 1.8% de redução absoluta de risco (NNT = 100/1.8 = 56).

O segundo princípio respaldado por nossa discussão é o Princípio da Complacência, o qual aponta que podemos aplicar evidências de boa qualidade em pacientes diferentes da amostra do estudo, desde que não haja uma grande razão para se acreditar que o efeito será outro. É o uso de uma evidência indireta quando usamos um tratamento em um indivíduo de 70 anos, mesmo que a média de idade do ensaio clínico tenha sido 55 anos. Isso é embasado na raridade do fenômeno de interação

A falta de percepção de que este fenômeno é raro leva a uma postura caricatural da medicina baseada em evidências, na qual não podemos aplicar o tratamento a quase ninguém, pois todo mundo é um pouco diferente da amostra do estudo, nem podemos calcular um NNT individual com base na propriedade intrínseca do estudo. 

Em que Situações Surge Interação ?

Embora interação seja um fenômeno raro, esta pode se fazer presente em duas situações. 

A primeira é quando estamos medindo um desfecho composto de benefício e malefício. O benefício representa a consequência intencional (benefício intrínseco, constante), mas o malefício representa um conjunto infinito de intercorrências que podem acontecer, cada uma com seu risco relativo particular. Sendo assim, diferentes populações podem ter predileções por diferentes complicações, o que faz com que risco  relativo de efeito adverso possa ser variável em diferentes tipos de paciente.

Vejam o exemplo de morte total em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização miocárdica. Avaliando os componentes da morte total, o beneficio relativo na redução de morte cardiovascular é estável, porém o aumento relativo da morte por complicações pode variar. No lado do benefício, todos têm doença isquêmica, portanto a redução relativa de morte cardiovascular é constante. Mas no lado do malefício, digamos que apenas alguns têm DPOC. Claro que nestes o aumento relativo de morte por complicação respiratórias será maior. É um sistema mais vulnerável a esta complicação. Ao combinar os dois tipos de morte em morte total, esta vai variar de acordo com DPOC. Neste caso, a redução redução relativa do risco de morte total será variável, porém a culpa será da complicação e não do benefício (que é constante).

O segundo motivo pelo qual a redução relativa pode variar é quando a magnitude do problema que será combatido pelo tratamento varia. Por exemplo, o benefício intrínseco de uma sutura para reduzir sangramento será maior se a ferida for maior. Ou o benefício da limpeza de ouvido na melhoria da audição será maior na medida em que o paciente tem mais cera do ouvido. Ou uma cirurgia de revascularização pode ser mais benéfica em termos relativos no triarterial do que no uniarterial. Discutimos recentemente a evidência do estudo IMPROVE-IT, que estudou pacientes de colesterol bastante baixo e mostrou uma redução relativa de risco (verdadeira) pífia com uso de estatina. Portanto, o risco relativo pode variar com a magnitude do problema intermediário (ferida, cera, obstruções, colesterol) que será corrigido pelo tratamento para obter um ganho clínico (reduzir sangramento, melhorar audição, reduzir infarto). 

Mas não devemos generalizar essas situações e achar que a redução relativa do risco varia com o risco basal ou com o mecanismo básico do problema (miocardiopatia isquêmica ou dilatada).

Conclusões

O estudo DANISH não serve para negar o efeito do CDI em miocardiopatia não isquêmica. Serve para mostrar que estes pacientes morrem menos de arritmia, portanto terão um beneficio absoluto menor do que pacientes que morrem mais de arritmia. Este estudo não precisava ser realizado, mas serve para nos lembrar de ser mais seletivos na indicação de CDI para pacientes com miocardiopatia não isquêmica. Por outro lado, considerando a raridade do fenômeno de interação, se encontramos um paciente com miocardiopatia não isquêmica, porém com alto risco para morte súbita, o CDI deverá ter um benefício absoluto maior e a indicação deve ser considerada.

Importante valorizar medidas relativas de risco como representantes do efeito intrínseco dos tratamentos, propriedade generalizável para diferentes tipos de pacientes, devido à raridade do fenômeno de interação.

Tenho a impressão que nossa mente superstima a probabilidade de interação terapêutica, pois interações humanas, sociais ou comportamentais são comuns. A depender do ambiente em que estamos ou com quem estamos, modificamos nosso comportamento. Porém um tratamento não é assim, na verdade requer condições especiais para conseguir modificar seu efeito. Tratamentos tem propriedade mais estáveis do que comportamentos humanos. 

OBS: Vocês devem ter notado que fui bastante repetitivo e insistente em algumas frases. Não foi um estilo literário, apenas uma estratégia didática. 
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Objetivos Didáticos da Postagem

1. Conceito de interação
2. A propriedade constante do efeito intrínseco dos tratamentos
3. Como avaliar interação (subgrupos e meta-análises)
4. Excessões em que interação se faz presente.
4. Risco Relativo e Risco Absoluto




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Curso de Medicina Baseada em Evidências

Em parceria com a Sociedade de Anestesiologia da Bahia, oferecemos o curso intensivo de Medicina Baseada em Evidências no sábado, dia 29 de outubro. Convite extensivo a outras especialidades médicas ou profissões de saúde.



domingo, 4 de setembro de 2016

A Confusão entre Risco e Dano


Passei o mês de julho desse ano com minha família na cidade de Ulm, que fica a uma hora de trem de Munich, Alemanha. O intuito da viagem foi desenvolver ao lado de Franz Porzsolt um projeto de colaboração acadêmico-científico em medicina baseada em evidências e economia clínica. A viagem foi bastante produtiva, profissional e pessoalmente. Sem falar no aspecto pessoal, desenvolvemos uma parceria institucional, Escola Bahiana de Medicina - Hospital São Rafael - Universidade de Ulm. 

Conto essa vivência, pois nosso período na Alemanha coincidiu com o atentado em Munich, um evento que me gerou as reflexões epidemiológicas que apresentarei nesta postagem e que, coincidentemente, tem muito a ver com medicina baseada em evidências e economia clínica.

No dia do atentado, minha esposa Susana, minhas filhas Amanda e Melissa, e eu recebemos uma avalanche de mensagens de amigos e familiares, muito preocupados com nossa segurança. Embora tenha respondido as mensagem com a esperada gratidão pela preocupação deles, meu pensamento era outro: meus amigos estavam confundindo risco e dano



Risco e dano são dois componentes importantes do raciocínio clínico, porém diferentes. Estes dois componentes devem ser levados em consideração de forma separada e complementar.  

Na verdade, meus amigos e familiares não deveriam ter se preocupado conosco, se o raciocínio fosse epidemiológico.  

Preocupação = Risco x Dano.

Embora o dano de sofrer pessoalmente um atentado terrorista seja imenso, a probabilidade (risco) de um atentado acontecer exatamente no local e hora exatos que eu esteja é ínfima. Digamos, uma probabilidade com muitos zeros depois da vírgula. Portanto, por maior que seja o dan, este é multiplicado por um número muito pequeno, o que deveria gerar despreocupação, ao invés de preocupação. 

Imagino que naquele dia do atentado, em Ulm, meu risco de sofrer algum ataque (de qualquer espécie) era menor do que se eu estivesse em Salvador, umas das cidades mais violentas do Brasil. Mas por que as pessoas que estão em Salvador acham que devem estar mais preocupadas comigo, ao invés de eu preocupado com elas? 

A resposta está na demonstração científica que psicólogos como Dan Ariely, Dan Gilbert, Dan Kahneman fazem: nossa mente é péssima para estimar o valor do risco. 

A Estimativa do Risco

Este foi o maior equívoco de meus amigos, porém este erro não é um particular de meu ciclo social. Esta é a tendência da mente humana. O cálculo intuitivo da probabilidade sofre de vieses cognitivos diversos. 

O primeiro vies é a confusão do impacto do evento com sua probabilidade. Nossa sensação de medo não distingue com facilidade risco versus dano. Por isso, achamos que um fenômeno muito danoso é de alto risco.

Outro é o viés de disponibilidade. Por que algumas pessoas jogam na loteria? Vamos usar a mesma equação, mas agora substituindo “preocupação" por “valor”. 

Valor do ato de jogar na loteria = risco de ganhar na loteria x valor monetário a receber

Da mesma forma, mesmo que o valor monetário seja muito alto, o risco de ganhar é ínfimo, tornando totalmente inútil o ato de jogar na loteria. Você, simplesmente, NÃO vai ganhar.

Mas as pessoas vivem jogando, pois superestimam o risco de ganhar, devido à heurística de disponibilidade. Ou seja, a gente só assiste na televisão histórias de pessoas que ganharam na loteria. E nunca vemos uma reportagem sobre alguém que não ganhou na loteria. O que está disponível para ser memorizado são os casos que ganharam e a mente intuitiva trabalha muito baseada em memória ou vivências prévias.

Dan Gilbert fez uma pesquisa em que perguntou do que as pessoas tinham mais medo de morrer: terremoto ou pneumonia? Claro que a resposta é terremoto, pois estas raras histórias marcam muito mais nossa memória do que os casos de pneumonia. Mas na verdade, o risco de morte por pneumonia é muito maior. 

Raciocínio de Economia Clínica

Nós estimamos erradamente probabilidades e pouco levamos o equilíbrio de risco e dano  em consideração.

Em medicina, devemos classificar as diferentes combinações de risco e dano: risco alto, dano alto; risco baixo, dano alto; risco alto, dano baixo; risco baixo, dano baixo. 

No risco alto x dano alto, estamos definitivamente em uma situação que necessita de intervenção preventiva. Medidas tendem a ser eficientes economicamente, no sentido de que mesmo que haja um preço significativo da conduta (monetário ou não monetário), o que benefício que recebemos em troca é compensador. 

No risco baixo x dano baixo, não precisamos nos preocupar muito. 

Mas quando estamos diante das situações intermediárias, precisamos exercer o raciocínio de economia clínica: o quanto estou investindo e o quanto estou recebendo em troca?

Na minha situação, risco baixo, dano alto, a decisão de uma medida preventiva depende do “custo” dela. Neste caso, temos que comparar risco x dano do evento terrorista versus risco x dano do meu retorno ao Brasil.

Ou seja, se Salvador fosse um berço de segurança, valeria a pena voltar para casa, considerando a instabilidade daquele momento na Alemanha?

Embora o dano do terrorismo seja maior do que o dano do meu retorno, a probabilidade do terrorismo é ínfima. Por outro lado, se eu de fato decidir retornar, a probabilidade de meu retorno se concretizará em 100%. Nem será mais uma probabilidade, será um fato. 

Portanto, estaria trocando um prejuízo de probabilidade ínfima (atentado) por um prejuízo de probabilidade certa (interromper uma viagem produtiva). Isso me parece que muito claro, para quem quer que estivesse em meu lugar.  

Por outro lado, situações semelhantes em medicina nem sempre nos parecem tão claras quando deveriam ser.  Decisões pouco econômicas são tomadas a todo momento. Muitas vezes pagamos um prejuízo garantido em troca de um não garantido benefício. Um bom exemplo é quando se indica colecistectomia em pacientes assintomáticos. Ao saber que há um cálculo na vesícula, alguns indicam colecistectomia para prevenir que o paciente tenha uma crise. 

Por um lado, a decisão de retirar a vesícula garante (100% de probabilidade) alguns prejuízos: algum desconforto, algum estresse, perda de dias trabalhados. O dano pode não ser alto, mas é garantido. Por outro lado, o benefício não é garantido, pois não sabemos se algum dia aquela “doença” iria se manifestar.  Portanto, mesmo que o dano de uma crise de vesícula seja moderadamente maior do que o dano de uma cirurgia eletiva, a probabilidade da primeira é severamente menor do que os 100% de probabilidade da segunda. 

Estou obtendo um dano garantido (cirurgia) para evitar um dano apenas possível (manifestação clínica da colelitíase). Em se considerando que estes dois danos não são demasiadamente diferentes em magnitude, não faz sentido algum trocar um prejuízo possível por um garantido.

Mas nesta discussão, normalmente os especialistas dizem: mas pode haver uma pancreatite (dano grande). Sim pancreatite é um dano muito maior do que cirurgia eletiva, mas nesse argumento está faltando o outro componente da equação. Qual a probabilidade (risco) de uma pessoa com pedra na vesícula desenvolver pancreatite ao longo da vida? Normalmente, o especialista não tem essa resposta (até hoje ninguém me respondeu). Ou seja, as pessoas passam a vida raciocinando sem considerar probabilidades. 

Pesquisei hoje, mas não achei, embora confesso que minha pesquisa foi rápida. Se alguém souber, por favor, nos instrua sob a forma de comentário.

Outro argumento do especialista pode ser. Mas se a pedra for grande (há um limite proposto), a probabilidade de manifestação clínica (tipo colecistite) é grande. Daí pergunto, qual a grandeza desse risco? Da mesma forma, até então ninguém me respondeu. 

Tudo isso mostra que nos esquecemos de considerar risco (probabilidade) ou confundimos risco com dano. Quando pensamento em um dano grande, automaticamente consideramos o risco alto. 

Considerações Finais

Observemos como são construídos os investimentos monetários. Estes utilizam a mesma fórmula acima, de forma que o potencial ganho do investidor não seja muito alto. Investimentos conservadores (menor probabilidade de perder) rendem um valor monetário menor. Enquanto os investimento de alto risco (maior probabilidade de perder) rendem um a valor monetário maior. Investidores fazem sempre a multiplicação de risco x dano. Por que médicos não fazem o mesmo?

Daniel Kanehman descreveu em 1975 (Science) os múltiplos vieses cognitivos que permeiam a mente humana quando fazemos julgamentos de situações incertas. Este artigo lhe garantiu o Prêmio Nobel. Deveria ter sido o prêmio nobel de medicina, mas não. Foram os economistas que reconheceram o valor de sua ciência,  foi o Prêmio Nobel de Economia. 

Não demos a ele o Prêmio Nobel de medicina, pois ainda não entendemos o que William Osler queria nos dizer há 100 anos: "Medicina é a ciência da incerteza e a arte da probabilidade".

Nós médicos ou profissionais de saúde precisamos nos tornar mais economistas. Economistas não monetários. Pensar no preço que o paciente paga por nossas condutas e no rendimento que o paciente ganha em aceitar nossas condutas. Para isso, precisamos exercitar a estimativa da probabilidade e dano, e em seguida multiplicar as duas.  Por fim, o produto das diferentes alternativas deve ser comparado. O que vale mais a pena?

Quanto nossa viagem à Alemanha, não retornamos precocemente ao Brasil, claro. E confesso que não sentimos nenhum impacto do atentado. Passamos os últimos dias da viagem em Berlim, de onde escrevi essa postagem, sentado em um dos bancos do Parque Tiergarten. Ainda bem que não voltei …