quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Farsa das Pulseiras Power Balance


Em agosto do ano passado, publicamos a postagem de título "Ensaio sobre o Efeito Placebo". Naquela época a pulseiras Power Balance encontravam-se no auge da fama, inclusive com depoimentos favoráveis de vários artistas brasileiros e internacionais. Percebendo o crescimento vertiginoso do uso da pulseira entre amigos, resolvi escrever aquela postagem, onde questionávamos a falta de evidência científica e sugeríamos a necessidade de ensaios clínicos randomizados para demonstrar os tantos efeitos benéficos deste produto. Hoje fomos premiados com o reconhecimento por parte do fabricante de que não há evidências a respeito da pulseira. Para esse início de ano, sugiro a fitinha do Bomfim. Valoriza nossa tradição local e é mais barata (20 centavos x 200 reais da Power Balance). Na verdade, a fitinha do Bomfim é priceless, não tem preço.

Vejam abaixo reprodução da reportagem de ontem da Folha de São Paulo, que nos foi lembrada por Júlio Neves via facebook.

04/01/2011 - 16h31


Fabricante da Pulseira Power Balance Admite não Funciona.

A empresa Power Balance foi obrigada, na Austrália, a desmentir publicamente os supostos efeitos terapêuticos de suas pulseiras e a garantir o reembolso a consumidores que se sentirem lesados pela propaganda enganosa.

Em 22 de dezembro, a empresa assinou um termo com o órgão de defesa do consumidor daquele país e se comprometeu a negar a existência de evidências científicas de seus benefícios.

A filial australiana da Power Balance, cuja sede é nos EUA, já postou essas informações no site oficial e prometeu que os clientes insatisfeitos têm até 30 de junho para pedir reembolso.

Em novembro, a empresa foi multada em 15 mil euros (R$ 33 mil) na Espanha por fazer propaganda enganosa. No mês seguinte, a Power Balance foi multada em 300 mil euros na Itália.

EFEITO PLACEBO

Os braceletes ganharam fama depois de serem vistos nos pulsos de jogadores de futebol como David Beckham e Cristiano Ronaldo, além dos atores Leonardo Di Caprio e Robert De Niro e do piloto Rubens Barrichello.

O tricampeão capixaba de surfe Diogo Leão, 29, diz que não tira a pulseira nem para dormir e que continua usando, mesmo com a polêmica.

"Quando faço algumas manobras de rotação, sinto que meu peso fica mais equilibrado na prancha", diz ele, que usa o bracelete há mais de um ano. "Não sei se o efeito é psicológico, mas para mim tem dado certo."

A fabricante diz que os hologramas da pulseira melhoram o fluxo de energia do corpo, aumentando a força, o equilíbrio e a flexibilidade.

Leandro Tessler, professor de física da Unicamp, desmente esses benefícios. "A interação de um holograma com corpo é só visual, mas não interfere na energia."

Segundo ele, as pulseiras podem ter efeito placebo. "Você se convence e pode até se sentir melhor, mas não há evidência científica comprovando o funcionamento."

NO BRASIL

O reembolso para consumidores lesados só vale para os australianos. No Brasil, a empresa não foi obrigada a adotar essa medida, mas a publicidade dos efeitos terapêuticos está proibida desde 3 de setembro por ordem da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A suspensão foi determinada após reportagem da Folha ter alertado o órgão de que os revendedores brasileiros estavam fazendo publicidade irregular.

A multa para o caso de infração à norma pode variar de R$ 2.000 a R$ 1,5 milhão.

Segundo a Vigilância, a Power Balance e a fabricante da Life Extreme, sua cópia brasileira, não infringiram a regra depois de publicada.

A On the Beach, distribuidora das pulseiras americanas no Brasil, informou que "toda a publicidade está em conformidade com as leis vigentes" e que não divulga "falsas promessas de benefícios". A empresa estima que já vendeu 200 mil unidades no país desde 2009.

9 comentários:

  1. Também recomendo a fitinha. Com fé, fará o mesmo efeito....

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  2. Rodrigo Viana Q. Magarao6 de janeiro de 2011 00:13

    E a fitinha ainda vem acompanhada de pelo menos 3 pedidos....

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  3. Pelo visto o post fez mais sucesso pela recomendação da fitinha do Senhor do Bonfim que pela constatação do que já havia sido sugerido em post anterior...

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  4. Olá Luis,

    O seu blog arribou na minha tela durante uma pesquisa sobre os efeitos da administração de antidepressivos e a recapitação de serotonina. O seu texto "Magnitude do Benefício de Antidepressivos" me deixou curiosa. Da sua leitura concluimos que não há evidências para subsidiar a administração de antidepressivos em casos de depressão leve/moderada, cujo diagnóstico é difícil vez que as subjetividades que envolvem as fronteiras entre a tristeza e a depressão.

    Diante disso, da minha natureza dialética e da curiosidade suscitada, a pesquisa se estendeu um pouco mais, até encontrar o artigo publicado por Maurício S de Lima (UFPEL), Bernardo GO Soares (UFPEL) e Josué Bacaltchuk (UNIFESP/EPM) na Revista Brasileira de Psiquiatria.

    "Uma recente revisão sistemática sobre o tratamento farmacológico da distimia mostrou que:

    · Os diversos grupos de drogas antidepressivas mostraram-se igualmente eficazes no tratamento dessa forma crônica de depressão menor, sendo todos superiores ao placebo.

    · Quando foram comparados os ensaios clínicos que usaram conceitos definidos de distimia com aqueles que se referiram apenas a depressões menores ou neuróticas, os resultados foram praticamente os mesmos, o que sugere não existir uma validação terapêutica para tantos conceitos diferentes de depressão menor, tais como depressão neurótica, depressão atípica, depressão exógena/reativa, depressão ansiosa, neurastenia, disforias histeróides, depressões caracterológicas, depressões recorrentes breves etc. Logo, o tratamento farmacológico dessas formas de depressão em geral proporciona melhora clínica em curto prazo. "

    Considerando a minha disposição para colaborar no desenvolvimento das propostas em que acredito (a medicina baseada em evidências é uma delas), lanço, aproveitando o seu título, uma mesa-redonda: Qual a Magnitude do Benefício dos Antidepressivos?

    OBS: link para o artigo:

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000300010

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  5. Os resultados obtidos em estudo interno da Power Balance demonstraram que o produto realmente traz um resultado 'estatisticamente significante' em relação ao desempenho do usuário. Não é ciencia. É a comprovação de pessoas que tiveram acesso a pulseira e sentiram os efeitos do produto.

    A ciencia pode nao comprovar que a Power Balance funciona, mas tambem nao pode afirmar o contrário, como muitas pessoas tem repetido de forma errada.

    Power Balance é um estilo de vida baseado na filosofia dos hologramas quanticos, assim como pessoas acreditam em travesseiros magnetizados, tem pessoas que sentem-se bem com os hologramas...

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  6. Ao anônimo acima.
    Você já ouviu falar em evidências?
    Você não pode afirmar coisas ao léu, você tem que mostrar(e muito bem mostrado) o porque você afirma aquilo.
    Não existem estudos confiáveis(controlados, cegos, randomizados) que validem essa afirmação que essa pulseira funcione.
    Você fala de um estude interno na fabricante que pode sugerir alguma coisa. Qual o tipo de estudo? Foi bem feito? Teve controle com placebo? Gostaria muito que você postasse o link desse estudo para que possámos avaliar melhor.
    No mundo da ciência, o achismo não vale nada. Não é porque você e algumas pessoas acham que a pulseira funciona que isso se torna uma verdade universal. Só podemos afirmar coisas embasado em evidências. Você pode aprender bastante sobre isso nesse blog.

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  7. Se existem relatos de usuários que afirmam sentir os efeitos ao portarem a pulseira, é por que há evidencias que ela altera o desempenho.

    As razões pra isso, podem ser várias. E a ciencia pode nao contemplar todas as respostas para isso.

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  8. Caro anonimo

    Posto que parece que os efeitos desta pulseira podem ser explicados por algum evento religioso-esoterico-astrologico, dado que permanece fora da ciencia. Carl Sagan na veia. Nem gosto dele, mas vale a pena dar uma lida.

    Abraco

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  9. @anonimo

    Efeito placebo.
    O fato de, em algumas pessoas, a pulseira ter algum efeito não implica necessariamente que o efeito é causado pela pulseira e não meramente por fator psicológico.


    Por essa sua lógica de "se há relatos, há evidencias", deveríamos tratar cancer com água porque há relatos de pessoas que foram "curadas" do cancer pela ministração de água, em testes de efeito placebo. A comprovação científica é necessária, porque se o efeito da pulseira é meramente psicológico, ela é apenas um meio de extorsão dos incautos.

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