quinta-feira, 31 de maio de 2018

Práticas Integrativas no SUS - quem são os dogmáticos?



A incorporação das fantasiosas "práticas integrativas" no Sistema Único de Saúde é mais um exemplo de medicina baseada em crença, situação em que condutas sem evidências de eficácia são suportadas pelo forte lobby da fé. Recursos gastos em fantasia deveriam ser melhor aplicados a terapias de eficácia comprovada. 

Se seguisse o fetiche do pensamento médico baseado em evidências que tanto me caracteriza, esta postagem seria concluída pelo parágrafo acima. Mas hoje farei diferente, pois ao observar a fervorosa reação contrária de amigos que primam por um pensamento racional, pensei: quem são os dogmáticos? E foi no meio desse pensamento desordenado que percebi mais uma vez que todos nós temos crenças internas que enviesam nossa interpretação da realidade. 

Em um primeiro impulso, é natural a tendência de mentes científicas rejeitarem a resolução do Ministério da Saúde. Em um segundo momento, temos duas opções: atacar a resolução de forma inquisitória ou analisar cientificamente o mérito da questão.

Nesta postagem opto pela segunda alternativa, onde desenvolverei um pensamento regido pelos conceitos científicos de "efeito futuro" versus "efeito simultâneo" de um tratamento.

Assim como devemos ser céticos no acreditar (fé) em condutas profissionais, devemos também evitar a confusão entre a valorização da dúvida e a certeza de inexistência. 

O rol de “práticas integrativas” incluídas pelo SUS contém condutas diferentes, com propriedades diferentes no que tange o pensamento científico.

Por exemplo, homeopatia é uma coisa, música ou aromaterapia são outra coisa. Mas como?

A diferença está (1) na forma e (2) no efeito que cada um deles se propõe a oferecer.

A Forma

Homeopatia se fantasia de remédio, é oferecida sob a forma de comprimidos. São comprimidos de “nada”, pois não restou mais nenhuma molécula da substância original depois de tantas diluições. Argumentam que sobra a energia, pode ser. Mas porque fantasiar a energia de comprimido? Energia transcende o físico, pode ser muito bem administrada pelo pensamento ou pelo simples tocar no paciente.  

Por outro lado, os outros dois exemplos não se fantasiam de remédio, assumem o que são. Música é audição, aroma é olfato. Aromaterapia não se propõe que as moléculas do aroma penetrem no organismo e promovam reações químicas com plausibilidade para cura. Estes são tratamentos sinceros, que não se disfarçam de comprimidos.

O Efeito

Neste caso, precisamos discutir a diferença entre “efeito futuro” e “efeito simultâneo” de uma terapia. Efeito futuro é o que denominamos de “desfecho”. Para afirmar que um tratamento melhora o desfecho do paciente, precisamos de evidências que nos tragam a probabilidade de melhora. Evidências que surgem de trabalhos longitudinais, que acompanham o paciente a partir da intervenção para o futuro. Para afirmar que um cansativo tratamento com pseudo-comprimidos vai melhorar a alergia de uma paciente, precisamos predizer, pois a melhora ocorrerá no futuro. Precisamos portanto de evidências científicas empíricas, pragmáticas. 

Quando homeopatia é avaliada por trabalhos com baixo risco de viés, seu efeito é igual ao placebo. Claro, tem trabalhos positivos a respeito da eficácia da homeopatia, assim como tem estudo positivo para qualquer coisa que queremos afirmar. A análise crítica está no risco de viés e risco de erro aleatório, uma análise que deve ser independente de nossas crenças internas. 

Por outro lado, há práticas cujo efeito é “simultâneo”. Estas não precisam de predição probabilística, pois o efeito ocorre durante a conduta. Quando recebo uma massagem, sei se estou experimentando bem estar durante a aplicação deste tratamento. Portanto, posso fazer uma primeira sessão e se gostar continuo o tratamento; se não gostar, interrompo o tratamento. O efeito proposto é o bem estar. Estas são situações em que podemos usar estudos de N = 1, pois a evidência não é preditiva, é definitiva. A evidência não é generalizável, é individual.

Portanto, a depender do desfecho proposto (bem estar), é anticientífico criticar aromaterapia. Pode ser muito benéfica para alguns, nada benéfico para outros. Fica a gosto do cliente. Tal como ir ao cinema neste feriado, tomar um vinho (moderadamente) com amigos, dar uma corrida na orla. 

A este respeito, tenho escrito que corrida não promove diretamente redução de peso, nem redução de risco cardiovascular (efeitos futuros). Mas dá prazer a quem gosta de correr (efeito simultâneo). Isso basta.



Pensemos em pacientes com anemia falciforme, doença de difícil controle, que pode promover grave sofrimento crônico. Estes pacientes, usualmente tratados pelo SUS, são sofredores crônicos. Muitos deles poderiam ter seu sofrimento amenizado com uma postura acolhedora, com a oferta de um grupo de meditação, um grupo de exercício lúdico, ouvirem boas músicas (jazz de preferência) ou experimentarem aromas agradáveis. Para alguns, certas práticas integrativas teriam grande impacto! Grande tamanho de efeito.

Este é o mesmo motivo pelo qual pacientes em estágio avançado de câncer procuram terapias complementares. Na verdade, muitos destes pacientes não estão à procura da cura por métodos fantasiosos, estão a procura do bem estar espiritual que estas condutas podem lhes trazer. 

Caso isso fosse (fosse!) bem implementado, não só traria conforto para alguns, mas também melhoria a auto-estima dos pacientes do SUS, que normalmente vêem nosso universal sistema de saúde com desprezo. Sentem-se desamparados. Tais condutas, acolhedoras, poderiam funcionar como se os postos de saúde passassem a ser equipados com bonitos móveis, ar condicionados, limpeza impecável. Tudo isso tem impacto coletivo, na percepção do quanto o paciente está sendo cuidado pelo sistema. 

O Custo

Até aqui, argumentei sobre a potencial efetividade individual de algumas práticas integrativas. Mas pequei por ainda não ter mencionado a questão do custo monetário. Quanto custarão essas terapias integrativas ao nosso sistema de saúde de recursos tão limitados?

Esta questão precisa ser analisada com critério, antes de nos posicionarmos contra ou a favor das práticas.

Primeiro, quanto vai custar? Muito ou pouco? Minha resposta é não sei. Mas "não sei" é diferente de se fechar para a questão. Eu ficaria inicialmente com o benefício da dúvida. 

Aqui se aplica o princípio do "ceticismo reverso": o benefício da dúvida não serve apenas para a existência do fenômeno, podemos também valorizar a dúvida quanto à inexistência, desde que a hipótese tenha uma razoável probabilidade pré-teste.

Uma ideia: será que não poderíamos treinar os próprios enfermeiros ou técnicos que já trabalham nos postos? Segundo, antes de criticar o eventual custo de implementar aromaterapia no SUS, precisamos criticar os muitos tratamentos de altíssimo custo e baixo impacto, que servem mais para dar “segurança perceptível” ao paciente, do que oferecer benefício clínico. São muitos os exemplos de tratamentos de alto custo substituirem terapias usuais de menor curso, seja por estar no rol do SUS, seja porque um inocente juiz defere uma liminar baseada em relatório médico. Talvez essa segurança perceptível viesse a ser substituída pela sensação de acolhimento recebida por um paciente terminal que não precisa de mais uma quimioterapia para prolongar sua vida em poucos dias (se prolongar), mas sim de uma aromaterapia. Desde que não se proponha que o aroma vá curar o câncer. Seria apenas um aroma agradável, oferecido por um sistema de saúde que preza pelo conforto dos seus pacientes. 

Portanto, custo monetário é relativo, talvez no mundo ideal a implementação de condutas integrativas e paliativas possam promover uma redução substancial do custo de tratamentos fúteis e muitas vezes prejudiciais aos pacientes. 

Que tal trocar toque retal por musicoterapia? Seria um troca bastante econômica (pensamento não monetário) no homem assintomático. Quem achou que isso é ironia sem base científica, leia a postagem o Crepúsculo do Novembro azul, onde discutimos sobre rastreamento de câncer de próstata.

Sim, estou viajando em possibilidades. Nada disso pode ocorrer e as terapias integrativas virem a ser apenas um custo adicional mal aplicado, que mais serve para promover o pensamento mágico do que para acolher pacientes. 

Portanto, não tenho posição a respeito da decisão do Ministério da Saúde. Se tivesse que decidir, provavelmente eliminaria algumas dessas práticas e outras buscaria mais detalhes para me posicionar. Neste momento, pouco conheço da maioria dessas práticas. Minha discussão aqui é mais conceitual, abstrata, científica, do que pragmática.

Mas não começaria por rejeitar ideias de forma dogmática. Pode ser que por trás das ideias não haja só um ministro mal informado. Pode ser que haja técnicos bem intencionados, com uma certa racionalidade.

Científico versus Ideológico

Confesso meu temor de que meu discurso científico vire ideológico. Por isso tento explorar o contraditório. "Trair minha tradição", como diz o rabino Nilton Bonder em seu livro "A Alma Imoral". 

Neste caso, podemos considerar o científico como imoral, contraditório. O científico é aquele menino malicioso que teve coragem de dizer "o rei está nu". O dogmático assume a posição da tradição moralista. 

O ceticismo está na base do pensamento científico. Mas ser cético não é desacreditar. É explorar. A exploração desta questão tem como pensamento central os conceitos epidemiológicos de "efeito futuro" e "efeito simultâneo". 

Agora vou ali, dar uma corridinha na orla de Salvador.


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15 comentários:

  1. 👍gostei muito!
    Maturidade com ciência vira "Consciência".
    Vejo um texto consciencioso, que apesar das convicções do autor, reconhece o que existe de real e permite o mérito da dúvida ao desconhecido.
    Bom senso, equilíbrio, lucidez e parcimônia definem!
    Contudo, diante da aprovação do Ministério da Saúde, fica a pergunta se houve prévio aconselhamento com quem tem expertise para julgar!
    Talvez as vorazes críticas advenham por causa da "irresponsabilidade", especialmente em tempos de "vacas magras".

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  2. Sou suspeito para falar de Jazz... Hehehe, gostei das citações.
    Ler essa sua postagem me traz apenas regozijo, embora eu saiba que a muitos ela incomode. Acredito que as coisas vem mudando, mais pessoas estão aderindo ao pensamento científico. Porém a maioria avassaladora persiste admirando cegamente o estilo dogmático. "Less is more" é quase um axioma quando pensamos em saúde, a ciência natural por essência não valoriza ilusões, mas a ilusão do "fazer Mais" a qualquer custo tem um marketing mais promissor numa sociedade pautada em VALORES do TER em depreciação do VALORIZAR o que se TEM. Acho, portanto, que admirar o dogmático se deve a questões culturais e históricas. Basta a gente comparar como é um congresso aqui e na Europa/EUA. Existem mais pessoas que identificam a tendência dogmática, e por terem avançado mais no pensamento científico, necessitam de mais provas antes de investir numa idéia, o raciocínio de custo-efetividade lá é mais aguçado, porque eles desejam o melhor da saúde (e não ilusões). Contudo, não sou Naive em pensar que isso é uma verdade absoluta, aliás nada é, tudo é relativo, e pensar absoluto é menosprezar nossa inteligência. Portanto, não somos melhores nem piores do que outro sistema de saúde, mas o nosso sistema está sendo planejado e executado pelas pessoas erradas...

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  3. Caro Luís Cláudio, dou a mão à palmatória e me incluo no amplo grupo de colegas médicos que “torceram o nariz” ao lerem a respeito das práticas integrativas regulamentadas pelo Ministerio da Saúde. Mas após refletir sobre o assunto, percebi que raramente (e também fatalmente) segui Dogmas remetendo sua reflexão sobre “todos temos nossas crenças” e estas por sua vez inferem em uma interpretação equivocada da nossa realidade. Claro, que certas condutas foram corrigidas após atualização do meu pequeno conhecimento científico. Lembro bem que no ano passado, um colega médico me procurou com um achado incidental de alteração de enzimas hepáticas, paciente jovem, sedentário e com sobrepeso, preocupado com o fígado. Tal achado foi encontrado em exames de rotina (overdiagnosis). Fiz o diagnóstico de NASH (esteatohepatite não alcoólica). Preocupado por ser um colega médico, jovem e de carreira promissora (porque não dizer um paciente VIP), indiquei redução do peso e atividade física, baseado em plausibilidade fisiopatológica e em Guidelines no tratamento desta doença, acreditando (fé) que isto reduziria o risco de cirrose (desfecho de baixa probabilidade) ou quem sabe a morte por uma eventual doença hepática terminal. Não prescrevi vitamina E ou pioglitazona mesmo sendo recomendado por Guidelines Europeus e Americanos (sempre fui contrário a estas drogas devido à evidência frágil). Acompanhando meu paciente de forma cuidadosa, conseguimos uma perda de 17kg e segundo ele “uma melhora incrível na qualidade de vida e na sensação de bem estar” com a atividade física. Satisfeito e orgulhoso de minha vitória, em Abril de 2018 minha “fé ou Dogma inconsciente” foi atropelada pelo excelente artigo publicado no Lancet (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/29254617/?i=2&from=too%20much%20medicine%20and%20lancet).
    Este artigo resumidamente nos faz refletir sobre o overdiagnosis e consequentemente o overtreatment, sem redução da mortalidade em 10 anos desta doença que ainda conhecemos pouco.
    “Sem querer”, minha conduta ao invés de atuar ou predizer um provável efeito futuro, atuou no efeito simultâneo (melhora da qualidade de vida e sensação de bem estar com a atividade física). Por sorte, não causei nenhum malefício receitando medicamentos desnecessários.
    Enfim, penso que quando esta prática integrativa não nos inclui, tendemos a criticar imediatamente sem nenhuma reflexão científica. Por outro lado, se esta prática inclui nossa área/especialidade tendemos a ser mais flexíveis ou até mesmo aceita-la com certo fervor ideológico.
    Encerro com uma mistura de pragmatismo e ideologismo, me perguntando qual seria o resultado de um amplo ensaio clínico comparando musicoterapia vs vitamina E no tratamento da NASH, tendo como desfechos primário e secundário: mortalidade e qualidade de vida. Será que os Guidelines mudariam? (Calma foi só uma provocação).
    Luís Cláudio, como sempre mais uma publicação impecável e maravilhosa que nos ajuda a ser mais tolerantes e científicos na prática clínica e na vida acadêmica.

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  4. Adorei ... fiquei muda diante de tanto repúdio dos colegas , pensava que só eu não acharia um luxo , nem supérfluo , algum acréscimo de custo , diante da possibilidade de agregar, ao menos conforto e acolhimento ao tratamento ! Você escreveu maravilhosamente ! Me sinto representada nas suas palavras , ainda bem ... ,acredito no efeito simultâneo , benefício imediato ao meu ver , já experimentei algumas ...
    Me ocorre a informação sobre algum hospital na Índia, onde o médico Ayurveda atende em paralelo, com o médico tradicional, em equipe , existe o respeito e entendimento e do agregar .

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  5. Para quem defende de modo aguerrido o postulado da evidência científica como é seu caso, seria muito incoerente sustentar uma postura dogmática; dogmas são do contexto religioso, atualmente mais restritos ao universo das instituições. Fanatismo, fruto dos dogmas arraigados na mente limitada da humanidade, faz mal a cientistas e religiosos, certamente causa maior das guerras dos mundos interno e externo. Longe de você, profissional que nunca deixa de ser estudante, acolher essa posição paralisante do crescimento humano.
    Tenho, contudo, algumas observações a trilhar. Primeiro que imprescindível seria um médico alopata parar para estudar outra abordagem médica- a homeopatia- para não estancar na ideia de que a mesma adota "remédio de nada". Não convence porque é pouco afirmar pela lógica alopática que o medicamento homeopático não é eficaz pelas tantas dinamizações sofridas.
    A homeopatia é sobretudo uma abordagem holística, obedecendo uma lógica não somente diferente mas até oposta à da medicina alopática. É a lei da semelhança que rege aqui- trata com algo que produz um efeito semelhante aos males que o doente sofre. Tudo nesta abordagem é diferente da alopatia, desde a anamnese, que envolve perguntas sobre seus medos; se vc sente frio, calor, desejos; quais suas aversões na alimentação...O paciente é visto dentro de uma visão total do ser e nunca a partir de seus sintomas.
    Mas como igualmente abomino dogmas, entendo que é uma Graça a existência simultânea da alopatia e de médicos estudiosos como vc! Não fosse assim, muitos milhões ainda estariam morrendo de tuberculose, etc, enfermidade que matou poetas eternos como Manoel Bandeira!
    Também vale lembrar que até mesmo seu paradigma primordial, o da evidência científica, deixa suas lacunas, porque muitas vezes o que é visto como uma heresia hoje, amanhã é Ciência Natural! Reporto-me aqui ao naturalista italiano, Francesco Redi, do século XVII, considerado pela sabedoria da época, um herege de grande periculosidade e que por pouco escapou do mesmo destino de um Giordano Bruno ou de um Galileu Galilei. E foi assim que ele deu os primeiros passos para a queda da abiogênese!
    A Antroposofia, elaborada pelo cientista austríaco Rudolf Steiner, abordagem que estudo, e que também envolve a medicina, com a prescrição de medicamentos homeopáticos, afirma que "não cometemos a insensatez de pretender que a Ciência Espiritual ateste suas verdades partindo apenas da Ciência Natural. Entre a legítima investigação natural e a Ciência Espiritual não há nem pode haver contradição alguma. O antropósofo mostra que as leis adotadas por ele em relação à vida anímica guardam correspondências com as leis que regem os fenômenos da Natureza exterior".
    A aromaterapia, assim como a musicoterapia, a corrida e a meditação, são práticas terapêuticas de relevante valor, tanto preventivamente, como instrumentos de apoio a enfermos. Se ainda com parcos estudos de caráter científico para evidências, tenho certeza que um dos motivos é porque não interessa aos grandes promotores das mesmas milhares de pesquisas; os grandes laboratórios de remédios e gigantes conglomerados econômico/financeiros.
    Nesse sentido, discordo quando você "troca" o supérfluo "toque retal" do paciente assintomático pela musicoterapia. Pode parecer ao leitor, uma ironia, e não vale trocar dogma por esse recurso de linguagem; pelo menos nesse caso. A ironia aqui, pode comprometer a pérola do seu post que foi "explorar o contraditório"'- "trair minha tradição"-, como bem sintetizou o rabino Nilton Bonder.
    A musicoterapia deve ser recomendada para pessoas com um grau importante de ansiedade, estresse; que deseja introduzir a meditação na sua rotina, mas os "macaquinhos" não param de saltar de galho em galho...


    Obs: no seu post, saiu Milton, mas o rabino é Nilton.

    beijo, Angel.

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  6. Prezado Prof Luis,
    com muito respeito ao brilhante trabalho que tem desenvolvido em sua área, me coloco à disposição para dialogarmos sobre as práticas integrativas e complementares que tanto tem intrigado o meio médico científico nos últimos meses. Sou professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e atualmente coordeno o Centro de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da Bahiana (CEPICS).

    Curiosamente, esta polêmica tem se acendido após a publicação da última portaria do Ministério da Saúde, que amplia a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, publicada há 12 anos atrás (e que já incluía racionalidades médicas como a Homeopatia, Medicina Antroposófica e MTC). Curiosamente também diversas destas práticas já vem sendo aplicadas em milhares de municípios há muito mais tempo e, praticamente sem recursos, procurando trazer aos usuários do SUS o que milhares conseguem apenas em atendimentos particulares. Ampliação do acesso.

    Venho acompanhando e fazendo parte, há pelo menos 18 anos, deste crescente movimento por um novo modelo de cuidado, complementar ao modelo vigente, e sinto, pela sua fala, que há muito o que esclarecer, muitas informações e experiências a trocar sobre os efeitos das mais diversas práticas. Há, de fato, a preocupação com o bem estar do indivíduo, o olhar integral para este, o cuidado direcionado para seu conforto e redução do sofrimento. Cuidado integral, saúde em seu conceito mais ampliado.

    A Rede Nacional de atores em PICS (REDEPICS), que inclui profissionais de práticas milenares como a Medicina Tradicional Chinesa e o Ayurveda, e mais recentes como a Medicina Antroposófica e a Homeopatia, vem cada vez mais buscando se aproximar da Ciência Moderna, através de um Consórcio Brasileiro de Pesquisadores (que inclui pesquisadores das mais importantes universidades brasileiras) e de parcerias com diversos centros de pesquisa e hospitais internacionais.

    É neste ponto que reforço o convite para conversarmos sobre esta aproximação. Certamente todos nos beneficiaremos desta prazerosa troca.

    Um afetuoso abraço,

    Renata Roseghini
    rroseghini@bahiana.edu.br

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    1. Prezada Renata,

      Obrigado pela mensagem no Blog, esclarecimentos e convite ao debate.
      Será ótimo essa convergência criativa. Podemos pensar em algo interessante.

      Fiquemos em contato.

      Abraço,

      Luis.

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  7. Gostei do texto e das considerações aqui postadas. Sou favorável a terapeuticas Generalizadas respeitando a medicina baseada em evidências e sou também adepta as praticas integrativas complementares estendidas ao SUS, por considerar q atenção invidualuzada e holística é muito importante para diminuir a carga de sintomas , dentre elas a sensação de bem estar, que compromete a qualidade de vida, principalmente entre os pacientes com doenças cronicas e incuráveis. Instituir diretrizes baseadas no conhecimento científico é fundamental, mas ignorar a percepção subjetiva e individual é responsável por um consumo desenfreado de ferramentas de apoio diagnóstico e terapêutico que sangram o recurso financeiro do SUS e não trazem qualquer melhora da qualidade de vida ao individuo. Conheço os valores do SUS para praticas integrativas e confesso que os achei bem baixos, já que são exigidos para o exercícios destes, na sua grande maioria, profissionais da area medica : medicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, fono, terapeutas ocupacionais...... e acredito com mais formação nas devidas areas de atuação. Há trabalhos qualitativos, outros de corte transversal q avaliam várias praticas integrativas q talvez sejam suficientes ou não para o atestar a universalização desta atenção mas o q realmente importa ao paciente enquanto ser individual? Será que ignorar as leis Universais que equilibram o externo eo interno são as responsáveis pelo aumento progressivo das condições depressivas e ansiosas q proliferam no mundo?

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  8. Sem receio de evidenciar minha ignorância pergunto: é verdade? Existe ciência espiritual? Estou aberto a informações e cansado de opiniões. Fraternalmente agradeço às pessoas que se dispuserem a me enviar informações sobre a ciência espiritual. Geraldo Magela da Costa Vaz; drmagela@gmail.com

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    1. Caro Geraldo,

      Os praticantes de Medicina Antroposófica têm uma Sociedade própria no Brasil e são um grupo altamente organizado. Essa especialidade médica tem origem nos escritos de um certo Dr. Rudolf Steiner, ao que me consta de origem alemã. Realizam cursos de Pós-Graduação tipo "especialização" em vários estados do Brasil.

      Essa especialidade não é incluída entre as Especialidades Médicas outorgadas pelo CRM, nem acho que deveria.

      Conheço por leituras e através de pessoas que realizam/realizaram seus cursos e é perceptível que, em sua doutrina, há uma certa porção de "medicina espiritual" ou "ciência espiritual" - poor estranha que pareça essa designação.

      Não que eu concorde com este conteúdo - tenho minha própria visão sobre o "mundo imaterial" - incluindo deidades, espíritos, energias, fantasmas, demônios, Kharma, Dharma, Kamaloka, Céu, Inferno, Limbo e outras abstrações. Considero que que não são objeto de estudo da Ciência e da Medicina. sou de opinião de que tal conteúdo não pertence à Medicina Tradicional. Entretanto demonstrar sua eficácia / ineficácia é um desafio.

      Devemos, sim, abordar a psicologia, psicopatologia, e as reações e angústias do paciente a sua situação de saúde. Mas isto é bem outro assunto. Esses aspectos da existência humana têm substrato material e são passíveis de análise científica. Inclusive são capazes de determinar o sucesso ou fracasso da terapêutica médica. Veja a esse respeito o conceito de "Ensaio Pragmático", que me foi apresentado pela primeira vez pelo Dr Porszholt.

      É realmente uma "Missão Impossível" - mesmo para Tom Cruise - conhecer todas as medicinas e terapias alternativas, e seus "principia". Em sua maioria, reconheço que surgiram como uma reação mais "holística" à racionalização e mecanização excessivas que foram (e ainda estão) predominando na Medicina Alopática tradicional. Mas, em sua esteira, surgiram algumas que, confesso, enxergo mais como religiões, doutrinas e maneiras de ludibriar o público (incluindo médicos, paramédicos e pacientes) ganhando assim dinheiro fácil.


      Como médico acho importante que conheçamos essas iniciativas pelo menos superficialmente. Mas como disse acima, acho também que nós médicos (e outros profissionais de saúde) não podemos ser responsabilizados por desfechos clínicos resultantes - no todo ou em parte - de produtos e procedimentos que não prescrevemos, e medicinas a cujos princípios não subscrevemos. O CRM, por outro lado, deve ao meu ver comportar-se como um órgão sólido e responsável, capaz de reger as especialidades médicas que apresentam um corpo teórico consistente.

      Tenho minhas dúvidas quanto à Antroposofia; conheço alguns de seus medicamentos e visitei algumas de suas lojas. Os medicamentos e produtos aí oferecidos incluem Homeopáticos, Fitoterápicos, e alguns produtos que têm entre seus componentes substâncias químicas reconhecidas como princípios ativos. Inclusive já utilizei alguns produtos dermatológicos deles (me descartando da parte "espiritual" dessa medicina).

      EM

      http://www.sab.org.br/portal/medicinaeterapias/213-oqueeamedicinaantroposofica

      poderá ser apresentado a alguns dos conceitos da Antroposofia. Faça sua própria apreciação.

      Acredito que a posição atual do CRM seja a de nãoos incluir como Especialidade Médica.

      Excluir
  9. Muito Bem dito, Caro Luís.

    Pessoalmente, tenho meu ceticismo em relação à Homeopatia, com bases semelhantes às que você mencionou; E modernamente temos também a Antroposofia (que tem um Quê de espiritualismo), e as inúmeras variações de Aromaterapia, Terpia Floral, etc...
    Existem até linhas "homeopáticas" que em seus remédios utilizam princípios na verdade importados da Alopatia (São então "Alopatia" disfarçada de "Homeopatia" disfarçada de "Alopatia"...)
    E temos inclusive para complicar os medicamentos "naturais", "vegetais" e "fitoterápicos"... Vendidos mesmo fora das farmácias, na forma de chás, cataplasmas, banhos etc...
    Para o mais das pessoas - médicos ou não - isso tudo é muito confuso.
    Vou mencionar aqui, anonimamente, somente dois casos de minha prática.

    1 - De uma feita, tivemos uma paciente cirúrgica que utilizava um certo "medicamento para afinar o sangue e melhorar a memória". Conhecendo seu potencial, discutimos com a Anestesiologia e decidimos recomendar que interrompesse essa medicação com uma semana de antecedência. Coincidência ou não (afinal tratou-se apenas de um caso e nem podemos afirmar que a paciente efetivamente reduziu a medicação), mesmo assim ela apresentou uma hemorragia pós-operatória excessiva e teve de ser transfundida.

    2 - Esse segundo caso é ainda mais ilustrativo. De outra feita, há uns 5 anos atrás, tivemos uma paciente aqui com uma reação exacerbada a anticoagulantes tipo Anti-Vitamina K. A despeito de reduzirmos a dosagem à metade por uma semana, persistiam valores de RNI além da faixa terapêutica. O clínico duvidou de nossos resultados, embora repetitivos. Foi feita então uma busca de dados junto à paciente, como última tentativa de esclarecer o problema. Resultou que a única coisa "estranha" é que utilizava um certo fitoterápico. Pesqusisei essa planta e descobri que a planta fonte não era senão a mesma de onde foi inicialmente isolado o coumarin. A paciente estava efetivamente utilizando dois anticoagulantes. Voltouào esperado com a interrupção do "fitoterápico que não faz mal".

    O ponto que eu desejaria aqui ilustrar é que, ao computar os "custos" e os "benefícios" de uma determinada terapia, é necessário irmos além do custo monetário ao sistema de saúde, ao médico, ao paciente. Há outros resultados adversos que não são simples custos monetários.

    Existe o placebo, sim; questionável como seja, também existe o uso do "placebo como medicamento". Será legítimo? afinal, "estamos tratando a energia, ou o espírito", do paciente.

    Mas lembremos que entre os efeitos adversos contamos, além dos custos diretos e indiretos, do também reconhecido "Efeito Nocebo".

    Ademais, quem é o profissional responsável por essas "terapias alternativas"?? Quem responde quando o paciente sangra muito, ou tem um efeito adverso, que pode ser explicado pelo menos parcialmente por uma dessas "terapias alternativas" - Já que algumas delas podem ser prescritas e aplicadas por qualquer tipo de profissional? Será que o "balconista da Mundo Verde" se responsabilizará??

    Sou favorável a uma postura realmente responsável pelos resultados de toda política aplicada ao paciente, mas que os ônus também sejam computados à responsabilidade do profissional certo, do paciente e do sistema.

    Se a política pública é ser "all inclusive", abordando todas as modalidades terapêuticas, que seja então dada responsabilidade específica a qualquer profissional. Não posso me responsabilizar, por exemplo, se o paciente não orou conforme prescrito, pecou contra alguém, depois contraiu uma possessão demoníaca e entrou em crise hipoglicêmica durante o exorcismo.

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  10. Cara, quem é você? Entrei aqui achando que ia ler mais um monte daqueles argumentos médico-científicos-pseudo-céticos e me deparo com esse texto. Valorizo muito uma opinião que me ajuda a agregar conhecimento às minhas opiniões, tornando-as um pouco menos equivocadas e um pouco mais precisas. Muito obrigado.

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  11. “Camarada Barros
    Ministro da Saúde parece seguir Mao ao aumentar a lista das pseudomedicinas custeadas pelo SUS
    20.mar.2018 às 2h00
    Mao Tsé-tung não acreditava na medicina tradicional chinesa (MTC), mas a inventou. A crer nas memórias de Li Zhisui, um de seus médicos particulares, o camarada Mao, além de só se tratar com a medicina ocidental, considerava totalmente implausíveis os princípios norteadores da MTC.
    O peso da realidade, entretanto, se impunha. A China havia feito uma revolução comunista. Deveria, portanto, prover saúde à população. Só que o país tinha, nos anos 50, uma população de cerca de 500 milhões de almas e contava com pouquíssimos médicos treinados no Ocidente para atender a toda essa gente.
    A solução vislumbrada por Mao foi tentar convencer os chineses e o mundo de que a MTC, que já tinha seu pequeno exército de praticantes, funcionava. Seguiu-se, então, um movimento para unificar e “cientificizar” a MTC, que era um amontoado de teorias altamente idiossincráticas e contraditórias umas com as outras, e, mais importante, uma ampla campanha de propaganda.
    Mao embalou a MTC num discurso dialético que prometia promover a síntese marxista entre o melhor do Oriente e do Ocidente. Deu tão certo que o próprio Ocidente se encantou com a ideia, tornando-se um consumidor ávido de acupuntura e outras práticas da MTC —apesar de as melhores revisões científicas sugerirem que elas não passam de um efeito placebo turbinado.
    O ministro da Saúde, Ricardo Barros, parece seguir os passos do camarada Mao ao aumentar a lista das pseudomedicinas custeadas pelo SUS, que passaram de 5 para 29 e agora incluem aromaterapia, cromoterapia, constelação familiar e florais.
    Na leitura mais benigna, o ministro é um ultrapragmático. Já que não há mais dinheiro para fazer boa medicina, vamos pelo menos dar à população a sensação de que ela é atendida e pegar uma carona no efeito placebo. Na menos, ele realmente acredita nessas coisas.
    Hélio Schwartsman
    É bacharel em filosofia e jornalista. Na Folha, ocupou diferentes funções. É articulista e colunista. ” > https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2018/03/camarada-barros.shtml

    “E o SUS está agora aceitando 29 técnicas de medicina "complementar" ou "alternativa". A maioria é pseudociência, outras não são ciência, e algumas há poucos ou nenhum teste de eficácia. O que dizer disso?” > https://www.youtube.com/watch?v=-iOWVqphJ3Y

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  12. Parabenizo o autor desse blog pela argumentação mas sugeriria aos leitores aqui que seguissem a dica do autor - o que os srs. deverão fazer:
    Entre várias atitudes "buscaria mais detalhes para me posicionar. Neste momento, pouco conheço da maioria dessas práticas.". Essa é a verdade majoritária dos brasileiros. Precisa ler mais, conhecer mais, vivenciar mais para não ser classificado como o sofista das práticas integrativas, ou seja,aquele que fala sem da matéria conhecer. Isso no mínimo é desonesto e anti-ético. Pior ainda quando ele assume este 'desconhecimento do objeto que está tratando.

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    Respostas
    1. Caro Givanildo, "atiro a primeira pedra", mesmo que talvez tenha "janela de vidro".

      As práticas alternativas são tantas e tão variadas que seriam necessários talvez mais uns dois anos de estudo para as compreender todas.

      Entretanto podemos, sim, nos aproximarmos de seus prinicípios e argumentos básicos, no sentido de "separar o joio do trigo" e também de garantir que pacientes e praticantes se tornem responsáveis em relação aos resultados obtidos.

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